domingo, 26 de abril de 2009

claro, estou vendo mais in treatment.

a personagem que mais gosto nessa temporada é a Mia. isso porque tenho medo de ficar igual a ela e até me identificar com algumas coisas que ela já fez.veja só, ela tem 43 anos e está culpando o terapeuta, porque há 20 anos ela estava grávida e abortou. hoje ela é bem sucedida, mas não tem filhos nem é casada. claro que o terapeuta não fez com que ela abortasse, mas se ela quer culpar alguém, esse alguém foi ele. coitado.

então, ter ou não ter um filho? se você não tem, corre o perigo de ficar amarga porque não teve. se tem reclama também porque filho dá muito trabalho. mas se você já fez algumas coisas na vida e quer ter, acho melhor ter. eu mesma quero ter, mas não quero ter agora. tenho 30. acho que minha vida está legal. óbvio que o limite é 35 anos, para quem não tem dinheiro para in vitro ou congelar óvulos. sei lá, melhor não pensar nisso.

outra coisa na Mia. ela teve um caso com um homem casado e ACREDITOU que ele largaria a mulher para ficar com ela. para piorar, ele ainda é o chefe dela. por que a mulher acredita? antes de ter vivido a experiência (acho bom toda mulher viver uma experiência dessa, depois que passa é claro), eu simplesmente condenava a amante, achava que ela era culpada. mas veja só, as coisas não são tão simples assim. estou até com preguiça de explicar porque agora não me sinto culpada. e acaba por aqui.

terminei de ler o livro do Caio Fernando Abreu. só que eu acho que o narrador é o autor. sim, eu fiz Letras. sim, eu sei a diferença. mas a gente só pode falar daquilo que a gente conhece!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! e para piorar, no final do livro tem umas cartas que ele escrevia para as pessoas, tipo descobrindo ou desconfiando que tinha aids. agora eu acho que os dois são a mesma pessoa.

a melhor parte do livro é quando o narrado resolve sair (o cara quase 40 anos) e fica pensando, quem eu chamo para sair? achei sensacional, PORQUE TAMBÉM TENHO MEDO DE FICAR IGUAL A ELE, MAS EU SOU MULHER E É PIOR. veja só:

"Os velhos amigos então, lembrei, tomar banho, telefonar, ir ao cinema, depois jantar. De todo aquele tempo de silêncio e pena, não restava muita gente. Talvez Nelson, enumerei, amaldiçoando a mulher e as três filhas, não faço nada além de alimentar aquelas fêmeas; talvez Maria do Carmo, cada vez mais convertida a membro típico do Lamuriento Exército das Vítimas do Feminismo: um filho, nenhum marido ou amante, carnes e sonhos despencando pelas academias de aeróbica e redações de revistas femininas; talvez Fernando, olhos de fogo frio, batalhando pó até os dentes rangerem, depois uma puta - ou travesti, seria capaz? - na primeira esquina, pagar e brochar. Fora esses, havia também a Lépida Legião Daqueles que Tinham Dado Certo, todos acasalados, aparece sábado, vou fazer uma jantinha, você tem que ver os vídeos que a gente trouxe de Tóquio, os computadores de Nova York, os vinhos de Paris."

Gente, muito bom. Viver é interessante.

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