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quinta-feira, 11 de junho de 2009

minha vida em cor de rosa.

então, acabei de assistir in treatment e claro que sempre fico pensativa depois de um episódio sobre a Mia. assim, ela quer parar de fazer terapia, chega decidida (será? quem quer parar de fazer terapia simplesmente para de ir, eu fiz isso...). mas depois é convencida que é preciso continuar.

eu sinto as coisas da Mia, que é o vazio existencial. quis ter filhos, já mudei de idéia. queria namorar e casar, já mudei de idéia. bebo e uso coisas e não adianta nada. eu preencho os meus dias. por isso que muitas pessoas trabalham sem parar, porque aí você não pensa na vida e depois, quando se aposenta, fica mal. eu sou tipo uma aposentada com 30 anos, porque tenho muito tempo de sobra e um emprego diferente. estou aqui querendo fazer um curso sobre cinema, simplesmente para preencher o meu tempo. é isso. a tal do terapeuta, o Paul, diz que a Mia precisa saber se conectar com as pessoas. o que é isso pelo amor de deus? mas essa série realmente é muito boa. aí eu fico pensando: quem são as pessoas? para mim, a pessoa é aquilo que ela faz. mas na terapia, ou no bar quando conversa, ela não é ela, é ela dizendo quem é ela. por isso que a pergunta "quem é você?" NÃO PODE SER RESPONDIDA.

lá vou eu ver uma peça sobre o Nietzsche. eu deveria cursar filosofia? ou direitos humanos? eu deveria cursar alguma coisa? e hoje me deu vontade de adotar uma criança, mas se eu não gostar, vou poder devolver? é crueldade, mas isso passa pela minha cabeça.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

mia

de novo a personagem Mia de In treatmente batendo na minha cabeça. ela é a imagem do que eu tenho medo de ser. ela quer alguém, ela não é feia, é ela é bem sucedida, mas ela é só. que merda escutar isso do próprio terapeuta.

vamos a mim. nem sei se essa expressão existe. estava solteira há dois anos e meio do jeito da Mia, me sentindo a criatura mais só da face da terra, mas com as minha amigas dizendo que eu tenho facilidade de arrumar homens. arrumar homens? uma coisa é quando eles se interessam por você. é fácil até e muito legal porque é um jogo de sedução. outra coisa é você achar que isso leva a alguma coisa. sempre soube que não. então, tive duas desilusões, super normais, mas me abalaram. o primeiro era assim, eu estava o tempo todo com ele, o sexo era perfeito, mas ele é uma versão minha hoje (gosta da rotina, não quer comer pizza a dois para não sair da dieta, tipo isso. e não pode sair hoje porque amanhã vai correr dez quilômetros). eu queria namorar, não deu certo. depois inventei de me fixar por outro, o casado, claro que não deu em nada. depois disso, fiquei amarga, mas sempre saindo, sempre conhecendo pessoas, e sempre dispensando as pessoas pelo menor motivo, cobrando a perfeição. até que resolvi baixar a guarda e namorar, mas foi principalmente porque ele insistiu e eu estava carente demais, querendo até ter filho! sabe quanto a gente tá muito carente e vem aquela pessoa que está fascinada por você? eu estava até doente e ele veio cuidar de mim e eu lembrei que um dia eu estava doente e ficava com vários caros e estava no hospital com o meu pai. mas a vida não é assim. gosto muito dele, mas não quero namorar uma pessoa todos os dias da semana, até porque ele mora longe, em um lugar inóspito e eu falto morrer quando falto a academia. não vou casar com ele porque não quero ser madrasta e nem quero mais ser mãe e nem quero responsabilidades. estou com o coração partido, mas acho que não vai mais dar certo. paciência para mim. idade não é nada.

sei lá.

e também esses dias estava conversando com uma ex-paquera, ele me chamou para sair, ele sabe que estou namorando, não vou ser grossa também dizendo que não vou sair por esse motivo. mas ele falou uma coisa que me marcou: QUERO ALGUÉM PARA COMER COMIDA JAPONESA COMIGO, SÓ CONHEÇO ZÉ MANÉ. entendi perfeitamente a colocação dele. quem gosta de arroz integral e salmão? e que ainda faça sexo bem? e que não coma carboidrato à noite? (claro que eu como, mas ele não). não tenho vontade de ficar com ele, mas tudo quer dizer alguma coisa em um relação. não posso namorar um igual, porque seria um porre. mas não existe imparcialidade. o cara é tudo de bom com você, mas gosta de música sertaneja. por mais que tente ser aberta, existe uma questão cultural aí. não quero me sentir superior, tem gente que tem nojo de mulheres do meu jeito, com tatuagens, saiões com all star, música negra na cabeça (ainda tem o meu ramo de trabalho, super diferente), mas não consigo não consigo. vai dar merda e eu só quero ficar só, no momento.