o clima está frio. o ambiente e o meu coração. primeiro eu namoro sem querer porque estava me achando estranha. agora eu não quero namorar, mas estou me achando tão estranha que aceitei um convite para comer comida japonesa. caralho, eu tô cansada! assim, o problema não é sexo, porque isso eu faço. mas tenho preguiça de me envolver. de conversar. sabe, as pessoas se conhecem e ficam falando de família, trabalho, futuro. não quero conversar sobre nada disso. tipo, quase todo mundo quer "ganhar mais", como se isso fosse uma evolução espiritual. aqui na merda de brasíli@, se você não estudar para passar em outro concurso, para ganhar mais, é de outro planeta. assim, minha motivação para mudar de emprego não é o salário, e sim o ambiente (pessoas). agora que me acostumei com a minha equipe, nem quero sair de lá. eu tenho folgas, isso é ótimo. vou para a academia e passo duas horas por dia lá. tudo bem que as minhas amigas de lá são donas de casa (sim, as que têm marido rico), professoras, aposentadas e demais profissionais que trabalham um dia e folgam três. outro passatempo, culinária. outro passatempo, ler. outro passatempo, ver filmes. ou seja, minha vida é passar o tempo. não quero fazer pós-graduação. sei lá, não está legal? eu acho ótimo, mas tem gente que tem a capacidade de chamar isso de "ser acomodada". esse cara da comida japonesa tem a mesma escala que a minha e gosta das mesmas coisas que eu. também está satisfeito com o emprego dele, o que parece um crime nos tempos modernos. cara, meu comportamento não é normal.
outra coisas, eu sou mulher mas não fui criada para ser mulher. minha mãe era mulher, mas tirando cozinha (que aprendi porque existe a internet, quando eu casei supernovinha), não era vaidosa do tipo de comprar sapatos e usar maquiagem. ela morreu cedo, quando eu tinha 17 anos, então não sei de nada. essa história do casamento do meu irmão, por exemplo. eu fico resolvendo algumas coisas com a noiva dele e parece que está no sangue dela:
entrar em uma loja que vende tecidos e saber que existe um desenhista. entramos lá e o cara começou a desenhar. fiquei morrendo de medo do cara cobrar, mas como compramos um tecido, ele não cobrou. como eu ia saber disso? e aquele vocabulário, pelo amor de deus? eu deixei ela escolher tudo, só vou pagar a minha parte o que me faz ter calafrios. tudo bem que o vestido não vai sair tão caro assim, eu compro roupas de malhação mais caras que ele (o que é para se preocupar). mas detesto costureira!