segunda-feira, 18 de maio de 2009

o egoísmo e eu

já me adaptei a trabalhar 24 horas. não fico mais totalmente morta no outro dia, mas venho direto para casa, faço algumas coisas e durmo até tarde. mas ainda não me adaptei a minha nova equipe. para começar, tem um evangélico que quer me evangelizar. isso é terrível porque não tive NENHUMA formação religiosa e acho que só faço mal para mim mesma (tipo, preciso praticar o auto-controle). isso basta. sei que as pessoas religiosas, por algum motivo que esses psicólogos da felicidade dizem, são mais felizes que as outras. sim, eu acredito, mas é porque elas se apegam a algo, alguma coisa sempre vai dar certo e deus segura na mão. ninguém segura na minha mão e acho brega ser evangélico e ficar escutando aquelas músicas no carro. ou fora do carro. conheço pessoas assim, e já tentei fingir que não ligava. não trato mal, mas não consigo escutar. os evangélicos são piores que o católicos e os mulçumanos porque parece que tem uma cota na igreja deles, para o crescimento de fiéis. eu nem sabia, mas eu sou o anti-cristo. me sinto até lisonjeada.

primeiro eu dei um ataque mesmo de fúria, briga no trabalho. de madrugada, fui diagnosticada de "falta de Deus no coração". chorei sim, mas de raiva por não ter me controlado. engraçado que na minha profissão e até legal se descontrolar, mas eu me sinto culpada quando solto um grito. não porque o outro escutou o grito, mas porque eu não fui forte o suficiente para segurar o grito. são as minha paranóias. então, eu sempre ando com um livro, para ler na hora que não tem ninguém no lugar. o "pastor", para puxar assunto, disse não entender porque as pessoas inteligentes não conseguiam "crer". foi um elogio, ele ter me chamado de inteligente. quem lê é inteligente? ô coitado. mas tudo bem.

no último dia de trabalho ele também implicou comigo. além fazer parte do time de ateus do lugar (sim, mas eu não me dou bem nem no time de ateus), eu levei abacate com sal, pimenta e limão para comer com pão e cometi o pior dos pecados: NÃO OFERECI. bem, não consigo ser falsa. eu levei a comida para mim! por que eu deveria oferecer comida se eu quero comer tudo? adoro fazer comida, mas tenho o péssimo hábito (para qualquer pessoa, menos eu) de fazer comida para o meu prazer e não para escutar elogios dos outros. mas a curiosidade de todos foi pior. queriam saber o que eu estava comendo. tudo que eu como eu tenho que falar, CADÊ A MINHA PRIVACIDADE. isso é que dá ser a única, ter apenas um irmão, perder a mãe na adolescência, receber pensão, morar em diversos lugares SOZINHA. não sei dividir roupa. detesto escovar os dentes na frente dos outros. mas o pior mesmo e ter que falar a todo momento o que está se comendo. quando eu falei, quase me bateram. parece coisa de menina mimada, mas imagine uma pessoa normal, que come arroz e feijão, abrindo a marmita dela de arroz e feijão e todo mundo afirmando que quem come arroz e feijão é maluco. assim, parece que não existe um país chamado méxico no mundo, muito menos um país chamado japão também. ficariam chocados com a minha vontade de comer escorpião frito. eu vou me acostumar. pior para eles, porque eles que terão que se acostumar.

outra coisa doida, que sei que vai dar o que falar: comprei um dvd portátil (como assim, nessa crise pessoal e mundial). só que vou levá-lo para usar com fones de ouvido. fiquei pensando no tanto que isso é ser egoísta. lá tem uma televisão, porque não compartilhar o filme com a equipe? estou me preparando. ser sociável é muito difícil.

um dia eu faço um bolo de chocolate da nigella e levo para a maldita equipe.