
esse é o cartaz do filme. é interessante o mandamento na parte de baixo do cartaz: assista. reflita. tome uma atitude.
eu assisti, refleti superficialmente e não vou tomar nenhuma atitute. vamos ser realistas. um filme nem nada vai mudar o fato que o Querô foi para a febem porque é pobre. os crimes existem para pobres e para ricos. o 157 do querô é o assassinato de índios dos meninos de classe média de brasília. nem consigo discutir mais tipificação penal.
esse filme me deixou confusa em relação ao tempo (o filme do Wolverine também).
se o filme se passa nos dias de hoje, baseado na obra do Plínio Marcos (de 1979). talvez, na obra (não vou ler), ele descreva a FEBEM. mas hoje, 2009/2008/2007 sei lá, não existe mais FEBEM, nem com esse nome nem com aquela estrutura mostrada no filme. legalmente, tudo mudou, é claro que nem sempre as intituições mudam, mas aí ficou tudo confuso, tudo errado. existe o ECA, que inclusive é um Estatuto que eu concordo, e quando eu discordo é porque ele prejudica mais o adolescente do que o adulto (e só pensar que o um jovem de 18, primário, que comete um 157, passa bem menos tempo detido do que um adolescente que por qualquer coisa ridícula vai passar de 6 meses a três anos em uma instituição que fabrica neoroses). então essa parte do filme foi horrível. é como você adaptar um uma história de amor dos anos 50 para os dias de hoje e a mulher agir como antigamente. adaptação é adaptação. fiquei indignada vendo o filme.
outra questão quanto a jeito que a FEBEM é mostrada no filme, que me fez pensar como a rebelião não ocorreu antes: somente dois seguranças, TRANCADOS JUNTOS COM OS MENINOS PARA MONITORÁ-LOS. isso é pedir para ter confusão. assim, se em Santos o sistema sócio-educativo é do jeito que é mostrado no filme, vou ligar para o Ministério Público agora, quem sabe assim essa é a tal da atitude que eu deva tomar? que onda é aquela de beliches de madeira? que instituição deixaria internos dormir em beliches que podem ser destruídas para virar armas (os parafusos seriam todos retirados para virar estoque). aquele segurança que morre no filme, por motivo de não competência técnica, demorou para morrer também. nunca foi tão fácil render pessoas, e se aqueles adolescentes não se rebeleram antes, foi porque não estavam afim. segurança zero mostrada no filme.
quanto a história, coitado do querô. ele se envolveu em um crime ridículo e foi cumprir sua peninha com outro nome. lá, não se adaptou às regras da "cadeia" e virou "arrombado". não sabia nem das leis da malandragem. mas ele não é obrigado a saber lei nenhuma, porque nasceu filho de uma prostituta que se matou quando ele acabou de nascer e foi criado por uma cafetina que o xingava todo. ele era um largado na vida. esse assunto me deprime, porque é uma obrigação do ESTADO, e não sou eu que estou inventando, foi o próprio ESTADO (tá, as pessoas votaram nos constituintes) que criou essas regras, que são muito boas, mas não são seguidas. declaração dos direitos humanos parece que serve para limpar a bunda (e o que mais me incomoda são aquelas pessoas que acham que os "direitos humanos" - que virou até uma expressão vazia, é uma coisa ruim, porque na televisão essa expressão só é utilizada quando se mostra presos sendo torturados. e antes de tudo, e antes da cadeia, antes da morte? ninguém se lembra que quem critica os direitos humanos já tem os seus direitos humanos garantidos, muito provavelmente por sua família que teve a sorte de não nascer pobre. quem ali ajudou o querô? só uma vizinha, que o levou para igreja. mas foi tarde demais.
a parte mais linda do filme é a questão do amor como salvação. não é porra nenhuma, mas em algum imaginário por aí, os adolescentes são tão perdidos que se apegam a "arrumar uma menina bacana e ter um filho" para sair da vida do crime. só que eles não tem repertório para conquistar menina legal nenhuma e ficam totalmente agressivos. a vida é uma merda.
também não gostei da parte que o querô rende um amiguinho da febem para conseguir uma arma e diz "meu nome agora é querô". isso não é cópia do filme "cidade de deus"?
prometo, para a minha saúde mental, não assistir mais filmes sobre a bandidagem.
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